quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Proteus mirabilis

1) Morfologia e Estrutura 

    Proteus mirabilis são bactérias gram-negativas pertencentes a família das Enterobactérias. Esses microrganismos fazem parte da microbiota normal do ser humano e está amplamente distribuída pelo meio ambiente, no solo, na água e na vegetação, no entanto podem causar uma variedade de doenças, principalmente no trato urinário. São bactérias anaeróbias facultativas, média de tamanho moderado (0,3 a 1,0 x 1,0 a 6,0 μm), estrutura em forma de bacilo, são móveis com flagelos peritríquios e não formam esporos. Seu metabolismo depende da fermentação da glicose, redução do nitrato e são catalase-positivas e oxidase-negativas. Para diferenciar membros comuns da família enterobacteriaceae é observado a não fermentação da lactose. O lipopolissacarídeo (LPS) é o principal antígeno da parede celular e consiste em três componentes: polissacarídeo O (classificação epidemiológica das cepas dentro da espécie), polissacarídeo central (classifica como membro da família enterobacteriaceae) e o lipídio A (atividade endotóxica, um importante fator de virulência).


Fonte imagens: Google imagens


2) Mecanismos de patogenicidade


    P. mirabillis é uma bactéria colonizante do trato gastrointestinal e pela proximidade anatômica pode alcançar o trato urinário e causar enfermidades no homem, ela é capaz de produzir grandes quantidades de urease, que hidrolisa a ureia à amônio (NH4),  tornando a urina mais alcalina, esse aumento da alcalinidade pode levar a formação de cristais de estruvita, e carbonato de cálcio (CaCO3) principalmente nas vias urinárias, as bactérias podem permanecer dentro das pedras nos rins que enquanto não forem removidas podem reiniciar a infecção após o tratamento antibiótico. Conforme as pedras aumentam de tamanho podem eventualmente crescer o suficiente para causar obstrução das vias urinárias e insuficiência renal.
    Quando o organismo entra em contato com bactérias patogênicas, especificamente quando as bactérias aderem às células uroepiteliais, inúmeros eventos de resposta imune são iniciados nas células mucosas endoteliais, incluindo secreção de interleucina e ativação da morte celular programada, entre outros. As endotoxinas presentes na membrana celular também desencadeiam cascatas de respostas inflamatórias no hospedeiro, o que causa desconforto físico.



3) Cultura e/ou Diagnóstico laboratorial 

    Para o diagnóstico de infecções do trato urinário são realizados dois tipos de exames, o EAS (Elementos Anormais do Sedimento), que fornece o diagnóstico da infecção do trato urinário, a presença de elementos sanguíneos ou bactérias e a urocultura, que identifica especificamente o agente causador da infecção.

    Os membros da família Enterobacteriaceae crescem rapidamente em meio de cultura. A Proteus mirabilis é uma bactéria gram-negativa, que apresentam coloração vermelha quando dispostas ao processo de coloração de Gram.

Para realizar a cultura desta bactéria pode ser utilizado o método MacConkey, que consiste em um meio de seleção e diferenciação para bacilos entéricos Gram negativo fermentadores e não fermentadores de lactose, como as famílias Enterobactereaceas spp. e Pseudomonas spp.


                                                        Fonte: Google Imagens

    O teste da oxidase, que determina a presença da enzima citocromo C oxidase nas bactérias, é uma prova usada para diferenciar as bactérias Proteus spp, que apresentam reação negativa.

    Para a identificação da P. mirabilis são necessários alguns testes, um deles é a enzima urease, que consiste na hidrólise da ureia e da amónia que resulta em aumento do pH do meio alcalinizando-o. É considerado positivo quando há alteração da cor do meio, caso contrário, negativo. Neste caso, a bactéria apresenta reação positiva.


                                                     Fonte: microbeonline.com

    Outro teste comum utilizado para identificá-la é o indol, que analisa as bactérias que possuem a enzima triptofanase de degradar o triptofano, levando a produção de indol, ácido pirúvico e amônia. A presença do indol é caracterizada por um anel de cor avermelhada na superfície do meio, que indica reação positiva. No caso desta bactéria a reação é negativa.


                                                     Fonte: microbiologyinfo.com

4) Patogênese e Patologia

4) Patogênese

Adesão: cateteres de ligação, tecidos do hospedeiro e bactérias vizinhas podem contribuir para a doença. A adesão é mediada por fímbrias chaperone-usher e adesinas autotransportadoras.

Urease: envolvida em pedras, biofilmes cristalinos e, possivelmente, nutrição ou detecção do hospedeiro.  A urease contribui para a colonização do cateter ao hidrolisar a ureia em amônia e dióxido de carbono, aumentando assim o pH e facilitando a precipitação de íons polivalentes na urina, levando à formação de cristais de estruvita (fosfato de amônio magnésio) e apatita (fosfato de cálcio). A aderência bacteriana normalmente ocorre quando o pH da urina aumenta para em torno de  8,2 e os cristais se depositam no cateter
          Motilidade: P. mirabilis enxameia através de cateteres e pode subir para os rins usando a motilidade de natação. Ambas as formas de movimento são mediadas por flagelos. As proteínas da quimiotaxia permitem que as bactérias sigam gradientes químicos. 
   Metabolismo: provavelmente permite o estabelecimento de um nicho nutricional, competição com outras espécies e resposta aos sinais do hospedeiro.
        Eliminação de metais: a absorção de ferro e zinco são essenciais para o crescimento, mas são sequestrados pelo hospedeiro; portanto, proteínas especializadas são necessárias para que as bactérias eliminem esses metais. 
    Toxinas: proteínas como HpmA  ( hemolisina) e Pta ( aglutinina tóxica de Proteus) podem ajudar na acessibilidade aos nutrientes, evasão imunológica ou fornecimento de superfícies para colonizar. 
    Formação de biofilme: Biofilmes cristalinos se formam prontamente em cateteres, e aglomerados bacterianos na bexiga podem ser um processo mediado por biofilme. 
    Evasão imunológica: isso pode incluir a degradação de anticorpos e peptídeos antimicrobianos, resistência à polimixina, variação do lipopolissacarídeo (LPS) e obstrução física da fagocitose. 
Regulação da virulência: necessária para coordenar todas as etapas da infecção.

 

 

ARMBRUSTER CE, MOBLEY Harry LT, PEARSON MM. Patogênese da infecção por Proteus mirabilis . EcoSal Plus. Fev 2018; 8 (1): 10.1128 

 

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ARMBRUSTER CE, MOBLEY Harry LT, PEARSON MM. Patogênese da infecção por Proteus mirabilis . EcoSal Plus. Fev 2018; 8 (1): 10.1128 


A bactéria P. mirabilis (verde) forma biofilmes cristalinos na superfície dos cateteres (topo). Uma vez dentro da bexiga [0,5–6 horas pós-infecção (hpi)], esse organismo pode invadir as células uroteliais da bexiga. Já em 10-24 hpi, P. mirabilis forma aglomerados intraluminais que podem estender o comprimento da bexiga e estão associados à destruição das células uroteliais [talvez através da produção de toxinas (estrelas amarelas) ou um aumento no pH da urina] e deposição mineral (hastes roxas). As células imunes inatas hospedeiras, como os neutrófilos (azul), são recrutadas para o local da infecção e podem formar NETs (armadilhas extracelulares de neutrófilos)



4) Patologia 


    Proteus mirabilis pode ser encontrado em uma ampla diversidade de ambientes, como solo, fontes de água e esgoto, porém é predominantemente um comensal do trato gastrointestinal de humanos e animais. Embora a bactéria seja capaz de causar uma variedade de infecções humanas, incluindo aquelas de feridas, do olho, do trato gastrointestinal e do trato urinário, ela é mais conhecida por infecções do trato urinário cateterizado, conhecidas como infecções do trato urinário associadas a cateter (CAUTI).
    Essas infecções são comuns em pacientes cateterizados de longo prazo, como aqueles que residem em asilos e instalações de cuidados crônicos. As infecções do trato urinário (ITUs) e CAUTIs envolvendo P. mirabilis são geralmente complicadas pela formação de cálculos na bexiga e nos rins (urolitíase) e dano renal permanente, e podem progredir para bacteremia e sepse, as quais carregam uma alta taxa de mortalidade. A bacteremia envolvendo P. mirabilis ocorre mais frequentemente após ITU ou CAUTI em comparação com outras fontes de infecção.     Essas infecções ocorrem principalmente em pacientes em hospitais. As infecções são causadas por instalações médicas contaminadas ou infectadas. Por exemplo, cateteres usados para injeção ou inalação e luvas usadas para examinar a ferida podem causar infecções se estiverem infectados. As seguintes infecções surgem devido ao Proteus mirabilis.


4.1) Infecções do sistema urinário

 

       São infecções que ocorrem na bexiga, rins e uretra. Infecções do trato urinário acontecem quando as bactérias entram no sistema urinário através da uretra. Apesar da capacidade do sistema urinário de eliminar esses microrganismos, às vezes ele não consegue fazê-lo. Isso permite que as bactérias se multipliquem e ataquem seu sistema urinário e causem infecções. Proteus mirabilis também é a causa de infecções urinárias. Proteus mirabilis pode aderir aos equipamentos médicos, como cateteres urinários e entrar em seu corpo onde viajam e chegar ao seu sistema urinário e causar uma infecção. Além disso, seu sistema digestivo é uma casa de muitos microrganismos. Proteus mirabilis é um desses microrganismos. Na maioria dos casos, Proteus mirabilis não causa infecções no seu sistema digestivo. Mas se essas bactérias encontrarem seu caminho para o seu sistema urinário, isso causa uma infecção. 

    Existem várias infecções urinárias que um indivíduo pode ter. Eles incluem:

4.2) Uretrite

   Este é um tipo de infecção que afeta sua uretra. A uretrite ocorre quando proteus mirabilis ou
qualquer outra bactéria se move do ânus para uretra. Além do proteus mirabilis, outras infecções como gonorreia e clamídia podem causar uretrite.
    

4.3) Cistite

 

    Essa infecção afeta sua bexiga. Cistite é causada por uma bactéria chamada Escherichia coli encontrada em seu sistema digestivo. Outras bactérias como Proteus mirabilis causam esse tipo de infecção.
    A relação sexual também pode causar cistite. No entanto, você não precisa ser sexualmente ativo para obter essa infecção. As fêmeas têm maior risco de desenvolver cistite do que os homens por causa de sua anatomia.



            4.4) Infecções renais

    Rins são um componente do seu sistema urinário. Sua principal função é filtrar sangue. Seu rim pode ficar infectado, o que pode prejudicar suas funções. Infecções do trato urinário especialmente da bexiga podem se espalhar e afetar seus rins. Bactérias Proteus mirabilis podem se espalhar e alcançar seu rim onde causam uma infecção. Eles também podem formar pedras em seu rim.



4.5) Sépsis

 

    Esta é uma doença fatal que ocorre quando seu sistema imunológico reage a uma infecção. Normalmente, seu sistema imunológico é responsável por defender seu corpo contra infecções. Mas às vezes pode se tornar hiperativo em sua resposta a uma infecção.
    Esta doença se desenvolve quando anticorpos liberados para combater infecções causam inflamação em todo o seu corpo. Esta doença é responsável por muitas mortes quando é grave.
    A sepse ocorre como resultado de qualquer infecção. Proteus mirabilis pode se espalhar de uma ferida infectada em sua corrente sanguínea onde causam uma infecção. Outras causas de sepse são infecções renais, pneumonia e infecção abdominal.



4.6) Resposta inflamatória sistêmica

 

    Esta é uma condição onde há inflamação em seu corpo. A resposta inflamatória sistêmica pode ocorrer quando seu corpo reage exageradamente a microrganismos no corpo. Choque séptico ou sepse grave formam coágulos sanguíneos que obstruem o fluxo sanguíneo ao redor do corpo. Isso priva seus tecidos corporais e órgãos de sangue e oxigênio que podem levar à morte deles.

    Além do choque séptico, qualquer forma de trauma no seu corpo pode causar uma resposta inflamatória. Bactérias como Proteus mirabilis também podem entrar na corrente sanguínea e causar síndrome de resposta inflamatória sistêmica.

 

4.7) Pneumonia


    Esta é uma infecção em um ou ambos os pulmões. Pneumonia faz com que alvéolos que são sacos de ar em seus pulmões fiquem inflamados. Essa doença pode ser causada por vários microrganismos, incluindo vírus, fungos e bactérias. Pneumonia de estreptococos e pneumonia chlamydophila são as causas mais comuns de pneumonia. Mas Proteus mirabilis também pode causar pneumonia se as bactérias invadirem seus pulmões.
    A maior parte da pneumonia é infecciosa. Pode se espalhar de uma pessoa para outra através de gotículas de ar infectadas de uma tosse ou de um espirro. Pneumonia bacteriana e viral são contagiosas, mas pneumonia fúngica não se espalha de uma pessoa para outra.





Sintomas de Infecções Proteus Mirabilis


    Os sintomas das infecções Proteus mirabilis dependem do tipo de doença. A seguir, os sintomas baseados no tipo de infecção.

-Para infecções do trato urinário, os seguintes são seus sintomas:
  • Você sentirá dor ou queimadura ao urinar. 
  • Você vai notar urina turva enquanto urina. 
  • Há um aumento da vontade de urinar. 
  • Você sente dor no abdômen. 
  • Você pode sentir calafrios que podem ser acompanhados de febre. 
  • Você também pode se sentir muito cansado.
-Para sepse:
  • você terá febre mais alta e aumento da frequência cardíaca. 
  • Sua taxa de respiração também será maior do que o normal. 
  • Caso a sepse seja severa, você experimentará uma diminuição da vontade de urinar. 
  • Você terá dificuldade para respirar, bem como experimentar fraqueza corporal geral.
5) Tratamento
    Infecções bacterianas são tratadas com antibióticos. Existem certos antibióticos que Proteus mirabilis desenvolveu resistência a tais como a ampicilina. Assim, esta droga não deve ser usada no tratamento de infecções Proteus mirabilis. A cirurgia também pode ser usada se pedras bloquearem seu rim.
 

6) Prevenção e Educação em Saúde 

    As melhores maneiras de se prevenir do P. mirabilis estão relacionadas a higiene para impedir que a bactéria seja transportada para a região urinária, sendo assim, é necessário que a pessoa lave bem as mãos, limpe-se sempre com movimento para as costas após defecar e não use as mesmas roupas intimas por muito tempo sem lavar. Também é possível a suplementação de vitamina C para auxilia na boa manutenção do sistema urinário. Além disso, é recomendável que seja ingerida bastante água e que a pessoa não "segure" a urina por muito tempo.

Fonte: arquivo pessoal


Caso Clínico
    A.T.B., sexo feminino, 30 anos, branca, proveniente de zona rural, deu entrada em unidade hospitalar queixando-se de dor e ardência miccional com polaciúria e urgência urinária. A paciente relatou baixa ingestão de água durante o dia (inferior a 800ml/dia), hábito de retardar a micção quando está ocupada, falta de água encanada diária em sua residência para realização da higiene pessoal e atividades diárias, além da prática de relações sexuais sem uso de preservativos. Um exame EAS foi realizado pela paciente e entregue ao médico do hospital, que observou certa alcalinidade na urina. Dessa forma, foi solicitado uma urocultura para investigar uma bactéria capaz de promover tal ocorrência. Após o resultado dos exames saírem, foi possível concluir a presença de Proteus mirabilis na urina da paciente.


Questões de Estudo
1) Descreva a morfologia da bactéria em questão no caso clínico.

2) Qual a relação do modo de vida da paciente com a patologia e os sintomas apresentados?

3) Relacione a fisiopatologia oferecida pela bactéria com sua fisiologia e modo de vida.

4) Quais são as medidas preventivas necessárias para evitar tal patologia?

REFERÊNCIAS  

ARMBRUSTER CE, MOBLEY Harry LT, PEARSON MM. Patogênese da infecção por Proteus mirabilis . EcoSal Plus. Fev 2018; 8 (1): 10.1128

CURTIS, Michaele. Infecções do trato urinário por Proteus mirabilis. 2017. Disponível em: https://www.ehow.com.br/infeccoes-trato-urinario-proteus-mirabilis-sobre_7880/. Acesso em: 21 set. 2017.

MURRAY, P.R et al. Microbiologia médica. 7. Ed. Rio de Janeiro. Elsevier, 2014.
PINA, Elaine et al. Infecções associadas aos cuidados de saúde e segurança do doente. Revista portuguesa de saúde pública, p. 27-39, 2010. 

Hickman, FW, Steigerwalt, AG, Farmer, JJ, Brenner, DONJ, Control, D., & Carolina, N. (1982). Identificação de Proteus penneri sp. Nov., Anteriormente conhecido como Proteus vulgaris Indole Negative ou As Proteus vulgaris Biogroup 115 (6).

FERNANDEZ-DELGADO, Milagro et al. Ocorrência de Proteus mirabilis associado a duas espécies de ostras venezuelanas. Rev. Inst. Med. trop. S. Paulo [online]. 2007, vol.49, n.6, pp.355-359. ISSN 1678-9946.  http://dx.doi.org/10.1590/S0036-46652007000600004.

LOURENÇO, Catarina Isabel Fernandes. Diagnóstico laboratorial em microbiologia clínica: um estudo no centro hospitalar. 2012. Tese de Doutorado. Faculdade de Ciências e Tecnologia.



Samonella typhi

1) Morfologia e Estrutura 

    A Salmonella typhi é uma bactéria flagelada anaeróbica facultativa do tipo bacilo (formato de barra curta) e, através da coloração de Gram, é classificada como gram-negativa, sendo responsável por causar a doença conhecida como salmonelose, uma doença que ataca humanos e outras espécies animais. O epíteto Typhimurium significa tifo do rato, pois essa bactéria causa uma doença semelhante ao tifo em camundongos.

    Ela possui uma membrana plasmática rodeada por uma fina parece celular peptoglicana e uma membrana plasmática externa, que apresenta as cadeias de proteínas que reconhecem os receptores específicos na superfícies das células epiteliais do intestino (adesinas), além disso é mobilizada graças à presença de vários flagelos dispostos ao seu redor (flagelos perítricos). A Salmonella typhi cresce em uma faixa de temperatura de 5°C a 46°C, mas sua temperatura ótima é de 35°C a 43°C, já o pH para um bom crescimento é entre 3,8 e 9,5, sendo 7 seu pH ideal. Bioquimicamente, é catalase e vermelho metila positiva, urease, fenilalanina e oxidase negativas.





2) Mecanismos de patogenicidade

    Salmonella typhi é um agente infeccioso que parasita o trato intestinal do hospedeiro humano, sua transmissão se dá pela via oral. O parasito evita desencadear uma resposta inflamatória precoce no intestino do hospedeiro, realizando maciça  colonização  dos tecidos do corpo. A bactéria provavelmente invade a mucosa intestinal no íleo terminal através de células especializadas, conhecidas como células M. Desta forma, a bactéria adere à mucosa intestinal através da interação com um receptor epitelial, a proteína regulatória condutora transmembrânica de fibrose cística. O passo inicial no processo infeccioso é a indução das células epiteliais pelo aumento dos níveis dos receptores de membrana, com aumento da ingestão bacteriana e translocação submucosal.
    A invasão bacteriana leva a infiltração de leucócitos do sangue periférico dentro da lâmina própria. Esse infiltrado é mediado pela secreção de citocinas das células epiteliais induzidas pelo LPS da bactéria, um componente da parede da célula de bactérias Gram-negativas. O LPS ativa fatores de transcrição em linfócitos através da sinalização do padrão Toll conhecido como complexo Toll-like receptor 4. As bactérias invasoras são fagocitadas por macrófagos, os quais sofrem apoptose mediada por caspase1 induzida pela Salmonella.
    As bactérias alcançam o tecido linfóide intestinal, e são levadas dentro dos nódulos mesentéricos, seguido do ducto torácico e então, para circulação geral. Essa bacteremia primária resulta no organismo numa colonização do fígado, baço, medula e outras partes do sistema reticuloendotelial dentro de um período de 24 horas após sua ingestão, onde elas sobrevivem e se replicam nas células da linhagem monocítica. As bactérias retornam à corrente sanguínea, marcando assim o início da doença clínica durante o qual o nível de bacteremia é sustentado.



3) Cultura e/ou Diagnóstico laboratorial 

    Para diagnosticar a infecção por Salmonella typhi podemos utilizar algumas amostras clínicas. A primeira delas é o sangue, que pode ser aliado no diagnóstico caso não tenha ocorrido tratamento prévio. A partir da hemocultura, deverá ser realizado o isolamento e a identificação bioquímica do agente. No caso de infecção por alimento, a amostra sanguínea não será positiva no diagnóstico.

    A amostra de fezes também é utilizada, deve ser coletada durante a fase aguda da infecção, mais precisamente na segunda semana.

    Para realizar a cultura desta bactéria pode ser utilizado o método MacConkey, que consiste em um meio de seleção e diferenciação para bacilos entéricos Gram negativo fermentadores e não fermentadores de lactose, como as famílias Enterobactereaceas spp. e Pseudomonas spp.

    O Ágar sangue também pode ser usado e compreende um meio enriquecido com sangue animal e propicia o crescimento da maioria das bactérias de interesse clínico.

    Vale salientar que a identificação e cultura da Salmonella spp. em alimentos requer coleta e métodos investigativos diferenciados dos usados na prática clínica. 

4) Patogênese e Patologia 
4) Patogênese 
     A Salmonella enterica sorotipo typhi possui fímbrias responsáveis pela adesão nas células intestinais e os lipopolissacarídeos (LPS) que proporcionam a proteção da bactéria da atuação letal das defensinas, ambos considerados fatores de virulência por suas propriedades de adesão e proteção para S. typhi

    A Salmonella typhi distingue-se das outras salmonelas por sua estrutura antigênica, possuindo três tipos de antígenos de interesse para o diagnóstico:

  • antígeno O: somático, presente em todas as espécies de Salmonella, de natureza glicidolipídica, identificando-se com a endotoxina O, é termoestável e essencial à virulência. Para a S.typhi o antígeno somático específico de grupo é o "O9"; 

  • antígeno H: flagelar, de natureza protéica, a composição e ordem dos aminoácidos da flagelina determinam a especificidade flagelar. No caso da S. typhi o antígeno flagelar é o "d". É termolábil.

  • antígeno Vi: capsular, formado por um complexo glicidoproteíco. É termolábil. A S.typhi pode ou não possuir o antígeno Vi 

    Cada um destes antígenos determina a formação de anticorpos aglutinadores específicos: anti-O , anti-H e anti-Vi. 

    A contaminação por Salmonella pode se dar por meio da pele lesionada, pelo trato digestivo, trato respiratório e pela conjuntiva, contudo a via fecal-oral é considerada a principal via de transmissão. Assim, após a entrada no organismo, as bactérias encontram como primeiro obstáculo à sua sobrevivência o pH ácido do estômago, todavia, a existência de um sistema adaptativo permite-lhes sobreviver às condições extremas do estômago e, assim, chegar ao intestino delgado. Dessa forma, na mucosa intestinal no íleo terminal, a bactéria passa por um processo de endocitose, invadindo principalmente as células M, agrupadas sobre placas de Peyer, e os enterócitos absortivos, ambas as células consideradas como as principais portas de entrada para o patógeno. Em seguida, as salmonelas aderem-se e proliferam no intestino delgado, com auxílio das fímbrias, que têm um papel fundamental na adesão às superfícies, persistência ambiental e formação de biofilme. A infecção causada por Salmonella enterica na maioria dos casos permanece localizada, dando origem apenas a uma patologia gastroentérica. Entretanto, dependendo da virulência do sorovar envolvido, o quadro pode generalizar-se. Neste caso, o patógeno ultrapassa a mucosa intestinal, invade fagócitos e ativa mecanismos de virulência que permitem sua sobrevivência e replicação no interior dos mesmos. A migração dos fagócitos infectados para órgãos do sistema reticuloendotelial, como o baço, fígado, medula óssea e vesícula biliar, facilita a disseminação da bactéria, desenvolvendo septicemia e podendo levar à morte.  

 

KAUR, Jasmine; JAIN, S. K. Role of antigens and virulence factors of Salmonella enterica serovar Typhi in its pathogenesis. Microbiological research, 2012, 167.4: 199-210.



4) Patologia 

A Salmonella typhi possui alta infectividade, baixa patogenicidade e alta virulência, o que explica a existência de portadores (fontes de infecção não doentes) que desempenham importante papel na manutenção e disseminação da doença na população


4.1) Febre tifóide


    Os seres humanos são os únicos hospedeiros e reservatórios naturais. Os bacilos tifoides são disseminados nas fezes de portadores assintomáticos ou nas fezes ou na urina daqueles com doença ativa. A infecção é transmitida pela ingestão de alimentos ou água contaminada com fezes. Assim, uma higiene inadequada após a defecação pode disseminar S. typhi para alimentos ou suprimento de água na comunidade 

    O período de incubação varia entre oito e 14 dias. Os sintomas começam leves, vão crescendo de intensidade nas três primeiras semanas depois do contágio e só começam a regredir na quarta semana. 

    Os sintomas mais característicos são febre prolongada, alterações intestinais que vão da constipação à diarreia com sangue, cefaleia (dor de cabeça), falta de apetite, mal-estar, prostração, aumento do fígado e baço, distensão e dores abdominais, náuseas e vômitos. Em alguns casos, aparecem manchas rosadas no tórax e abdômen conhecidas por roséola tífica.

 

             

Fonte: Imagens Google



5) Tratamento


Em geral, os antibióticos preferidos são:

  •  Ceftriaxona 1 g IM ou IV a cada 12 h (25 a 37,5 mg/kg em crianças) por 14 dias

  •   Várias fluoroquinolonas:

- ciprofloxacino, 500 mg, VO, 2 vezes/dia, durante 10 a 14 dias;

- levofloxacino, 500 mg, VO ou IV, 1 vez/dia, durante 14 dias;

- moxifloxacino, 400 mg, VO ou IV, 1 vez/dia, durante 14 dias

Cloranfenicol, 500 mg, VO ou IV, a cada 6 h, ainda é usado amplamente, mas a resistência está aumentando.

Corticoides podem ser acrescidos aos antibióticos para tratar toxicidade grave. Declínio da febre e melhora clínica geralmente se seguem. Prednisona, 20 a 40 mg, VO, 1 vez/dia, VO (ou equivalente), durante os primeiros 3 dias de tratamento, geralmente é suficiente. Doses mais altas de corticoides (dexametasona, 3 mg/kg, IV, inicialmente, seguida por 1 mg/kg, IV, a cada 6 h, durante um total de 48 h) são usadas em pacientes com delirium importante, coma, ou choque.


6) Prevenção e Educação em Saúde  

    A Salmonella typhis é uma bactéria normalmente relacionada a ovos, frango e alguns outros alimentos crus, sendo assim, uma das melhores maneiras de evitar infecções causadas por essa bactéria é o bom cozimento desses alimentos e evitar a contaminação de outras comidas por eles. Além disso, lavar as mãos, saneamento básico, beber água potável ou fervida também ajudam a eliminar essa bactéria. Existe vacina, entretanto sua eficácia não é total, portanto a recomendação é que só seja tomada em casos de viagens breves para locais com alto número de casos.




Caso Clínico 

C.R.L, sexo masculino, proveniente de zona rural, 23 anos, deu entrada na Unidade Básica de Saúde apresentando febre alta, dores de cabeça, mal-estar geral, falta de apetite e refere diarreia e tosse seca à cinco dias. Além disso, paciente afirma que tem o hábito de comer legumes e moluscos não cozidos. Foi realizado coprocultura e em seguida isolada e identificada a bactéria Salmonella typhi.

1- De acordo com os sintomas e o resultado da coprocultura este caso clínico ilustra qual patologia?

2- Descreva a morfologia da Salmonella typhi.

3- Qual a relação do modo de vida e alimentação do paciente com os sintomas apresentados?

4- Que medidas profiláticas podem ser tomadas nessa patologia?

REFERÊNCIAS 

SHINOHARA, Neide Kazue Sakugawa et al . Salmonella spp., importante agente patogênico veiculado em alimentos. Ciênc. saúde coletiva,  Rio de Janeiro ,  v. 13, n. 5, p. 1675-1683,  Oct.  2008 . 


KAUR, Jasmine; JAIN, S. K. Role of antigens and virulence factors of Salmonella enterica serovar Typhi in its pathogenesis. Microbiological research, 2012, 167.4: 199-210.


Weinstein D. L.; O´Neil, B.L.; Hone, D.M.; Metcalf, E.S. Differential early interations between Salmonella enterica serovar Typhi and two other pathogenic Salmonella serovars with intestinal epithelial cells. Infect Immun 66: 2310-18, 1998.

Pier G.B.; Grout, M.; Zaid, T. et al. Salmonella typhi uses CFTR to enter intestinal epithelial  cells. Nature 393: 79-82, 1998.

Lyczak, J.B.; Zaidi, T.S.; Grout, M.; Bittner, M.; Contreras, I.; Pier, G.B. Epithelial cell contact-induced alterations in Salmonella enterica serovar Typhi lipopolysaccharide are critical for bacterial internalization. Cell Microbiol 3: 763-72, 2001.

Lyczak J.B.; Pier, G.B. Salmonella enterica serovar typhi modulates cell surface expression of its receptor, the cystic fibrosis transmembrane conductance regulator, on the intestinal epithelium. Infect Immun 70: 6416-23, 2002.

Vazquez-Torres, A.; Vallance, B.A.; Bergman, M.A. et al. Toll-like receptor 4 dependence of innate and adaptive immunity to Salmonella: importance of the Kupffer cell network. J Immunol 172: 6202-08, 2004.

Monack, D.M.; Hersh, D.; Ghori, D.B.; Zychlinsky, A.; Falkow, S. Salmonella exploits caspase-1 to colonize Peyer´s Patches in murine typhoid model. J Exp Med 192(2): 249-58, 2000.

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GOMEZ, Violeta. Salmonella Typhimurium: características, morfología, ciclo vital.

DE OLIVEIRA, A. et al. Salmonella enterica: genes de virulência e ilhas de patogenicidade. Enciclopédia biosfera-centro científico conhecer, v. 9, n. 16, p. 1947-72, 2013.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE. Manual técnico de diagnóstico laboratorial de Salmonella spp.: diagnóstico laboratorial do gênero Salmonella. 2011.


Neisseria gonorrhoae

 Neisseria gonorrhoae 


1- Morfologia e Estrutura 

A Neisseria gonorrhoeae é uma bactéria aeróbica não flagelada, em forma de cocos e disposta em pares; essa forma se denomina diplococos. Apresenta 0,6 a 1,0 μm de diâmetro e têm seus lados adjacentes achatados. 

Fonte: Google Imagens


A N. gonorrhoeae é uma bactéria Gram-negativa, sendo assim, apresenta uma fina camada de peptidoglicano localizada entre a membrana citoplasmática e a membrana externa. Embora a superfície externa de N. gonorrhoeae não seja coberta com uma verdadeira cápsula de carboidratos, ela apresenta carga negativa como a cápsula. Outra característica dessa bactéria é a presença de pili que se estendem da membrana citoplasmática e atravessam a membrana externa. Esse Pili possui várias funções que  incluem aderência às células do hospedeiro, transferência de material genético e motilidade. Essas bactérias também são oxidase-positiva e produzem catalase. Ácidos são produzidos por oxidação de glicose.

2- Mecanismos de Patogenicidade 


  • Pili: São compostos por subunidades proteicas repetitivas (pilinas), as quais têm a expressão controlada pelo gene pil. Está associado aos mecanismos de patogenicidade, pois essa estrutura permite a adesão às células epiteliais não ciliadas, como o epitélio da vagina, tubas uterinas e mucosa oral, garantindo resistência a morte causada por neutrófilos. Além disso, as pilinas possuem uma região conservada na porção aminoterminal e outra variável na porção carboxiterminal, esta última, por sua vez, pode sofrer fosforilação, glicosilação e ser associada a uma segunda proteína (PilC), que contribui para a diversidade antigênica, causando uma ausência de imunidade pra a reinfecção por N. gonorrhoeae.


  • Proteínas porB (proteínas I): Garantem a sobrevivência da bactéria no meio intracelular dos neutrófilos, pois elas interferem na degranulação de neutrófilos, ou seja, a fusão do fagolisossoma ao lisossomo, que causaria a morte da bactéria.


  • Proteína Opa (proteínas II): São responsáveis por mediarem a aderência firme às células eucarióticas (epitélio e fagócitos). Ademais está associada à doenças clinicas, sendo conhecidas como proteínas de opacidade, devido à formação de colônias opacas em cultura (mais comum em pacientes com doenças localizadas - endocervivite, uretrite, faringite e prostatite). Podem também formar colônias transparentes (mais associadas À doenças disseminadas - doença inflamatória pélvica e artrite).


  • Proteínas Rmp (proteínas III): São proteínas modificadas por redução, que estimulam anticorpos bloqueadores, interferindo na atividade bactericida do soro. 


  • Proteínas de ligação à transferrina: Medeiam a aquisição de ferro para o metabolismo bacteriano por meio de competição com o hospedeiro, assim como as duas proteínas seguintes.


  • Proteínas de ligação à lactoferrina 


  • Proteínas de ligação à hemoglobina


  • Lipo-oligossacarídeo (LOS): É um antígeno composto pelo lipídio A e um núcleo de polissacarídeo. Essa molécula de lipídio A tem atividade de endotoxina, desencadeando uma resposta inflamatória, que ativa o sistema complemento e estimula liberação de fator de necrose tumoral-alfa (TNF-alfa).


  • IgA protease: Destroem a imunoglobulina A1


  • Beta-Lactamase: São capazes de degradar a penicilina

Fonte: Google imagens



3- Cultura e diagnóstico laboratorial 


  • Microscopia

A coloração de Gram é muito sensível (acima de 90%) e específica (98%) para a detecção de infecção gonocócica em homens com uretrite purulenta. Dessa maneira, a coloração de Gram pode ser utilizada com segurança para diagnosticar infecções em homens com uretrite purulenta e mulheres com cervicite, mas todos os resultados negativos em mulheres e em homens assintomáticos devem ser confirmados por cultura.


  • Detecção de Antígeno

Os testes para detecção de antígenos de N. gonorrhoeae são menos sensíveis que a cultura ou testes de amplificação de ácidos nucleicos, e não são recomendados, a menos que testes confirmatórios sejam realizados em espécimes negativos.


  • Testes Baseados em Ácidos Nucleicos

Testes de amplificação de ácido nucleico específicos para N. gonorrhoeae têm sido desenvolvidos para a detecção direta da bactéria em espécimes clínicos. Esses testes são sensíveis, específicos e rápidos (resultados disponíveis em uma a duas horas).


  • Cultura

N. gonorrhoeae pode ser facilmente isolada de espécimes genitais se forem tomados os cuidados adequados durante a coleta e o processamento do espécime. Já que outros organismos comensais normalmente colonizam superfícies mucosas, todos os espécimes genitais, retais e da faringe devem ser inoculados em meios não seletivos (p. ex., ágar‐chocolate) e meios seletivos (p. ex., meio Thayer‐Martin modificado) que inibem o crescimento de microrganismos contaminantes.


OBS: A cultura é sensível e específica, mas tem sido substituída por testes de amplificação de ácidos nucleicos em muitos laboratórios.



4- Patogênese, Patologia e Tratamento 


  • Patogênese: 

As doenças causadas por N. gonorrhoeae e N. meningitidis são bem conhecidas, enquanto outras espécies de Neisseria têm virulência limitada e geralmente causam apenas infecções oportunistas.

N. gonorrhoeae geralmente é transmitida por contato sexual. As mulheres têm 50% de chances de adquirir a infecção após um único contato com um homem infectado, enquanto para o homem o risco é de aproximadamente 20%. 

O principal reservatório do gonococo é a pessoa infectada e assintomática. Portadores assintomáticos são mais comuns entre mulheres que em homens. Geralmente, os sintomas desaparecem em poucas semanas em pessoas não tratadas e então se estabelece o estado de portador assintomático. 

O sítio da infecção também determina a ocorrência do estado de portador, sendo que infecções retais e faringianas são mais comumente associadas ao estado de portador do que as infecções genitais.


  • Patologias: 

  • Gonorreia: A infecção genital em homens é primariamente restrita à uretra. Após período de incubação de dois a cinco dias, ocorre um corrimento uretral purulento e disúria. Embora as complicações sejam raras, podem ocorrer epididimite, prostatite e abscesso periuretral. O sítio primário de infecção em mulheres é a cérvix (colo uterino), pois a bactéria infecta as células do epitélio colunar da endocérvix. O microrganismo não é capaz de infectar as células do epitélio escamoso da vagina de mulheres pós‑puberais. Pacientes sintomáticas geralmente apresentam corrimento vaginal, disúria e dor abdominal. Infecções genitais ascendentes, incluindo salpingites, abscessos tubo‑ovarianos e doença inflamatória pélvica são observadas em 10% a 20% das mulheres.


  • Fonte: MURRAY


  • Gonococcemia: Infecções disseminadas com septicemia e infecção da pele e articulações ocorrem em 1% a 3% das mulheres infectadas e em proporção muito menor nos homens infectados. A maior proporção de doença disseminada em mulheres é causada pelo grande número de infecções assintomáticas não tratadas nesta população. As manifestações clínicas de doenças disseminadas incluem febre, artralgia migratória, artrite supurativa nos punhos, joelhos e tornozelos e exantema pustular de base eritematosa sobre as extremidades, preservando a cabeça e o tronco. N. gonorrhoeae é a principal causa de artrite purulenta em adultos.



  • Fonte: MURRAY


  • Outras condições clínicas: peri‑hepatite (síndrome de Fi‑Hugh‑Curtis); conjuntivite purulenta, particularmente em recém‑nascidos infectados durante o parto vaginal (oftalmia neonatal); gonorreia anorretal em homens homossexuais; e faringite.


  • Fonte: MURRAY


  • Tratamento:

Infecções causadas por N. gonorrhoeae, especialmente a infecção sexualmente transmissível gonorreia, são conhecidas há séculos. Apesar da antibioticoterapia eficaz, a gonorreia é uma das doenças sexualmente transmitidas mais comuns em diversos países. A presença de N. gonorrhoeae em um material clínico sempre é considerada significativa. Desse modo, ao ter a sua presença perceptível, necessita-se que inicie o tratamento e dê continuidade a este de forma correta. Atualmente, o medicamento mais utilizado é a ceftriaxona, a qual será administrada em associação com a azitromicina ou com a doxiciclina,  que irá agir impedindo a ação de síntese da parede microbiana. Além disso, a utilização do aminociclitol (espectinomicina) pode ser realizada como uma forma de tratamento, visto que esse medicamento vai agir para inibir a síntese proteica desse microrganismo. Por fim, ressalta-se que ainda não existe disponibilidade de vacinas eficazes contra a N. gonorrhoeae.



5- Prevenção e Educação em Saúde 


  • A transmissão 

Pode ocorrer principalmente, de duas formas: por relações sexuais e por transmissão vertical (ou seja, da mãe para o bebê, principalmente durante o parto). 

  • Período de incubação

Pode ser medido cerca de até 24h após uma relação sexual desprotegida até 5 dias depois do ato. Por ser, em muitos casos, assintomática, pode permanecer durante anos no corpo da pessoa, caso ela não identifique e nem se trate adequadamente após o período de transmissão.

  • Prevenção

Fator crucial para que a infecção não seja transmitida para o(a) parceiro(a) e nem da mãe para o feto, visto que ela está baseada, sobretudo, na utilização de preservativos (sobretudo da camisinha) durante as relações sexuais, realizar o pré-natal de forma correta, procurar imediatamente o profissional médico caso tenha sintomas causados por esse microrganismo e, por fim, seguir o tratamento adequadamente para que ele seja eficaz.

 



6- Caso clínico 


I.F.S., sexo feminino, 25 anos, procurou o ambulatório de ginecologia da FACS, com queixas de dor ao urinar e corrimento vaginal branco e espesso, às vezes com presença de sangue. Relatou sentir dor na relação sexual há uma semana. Apresentava febre (38ºC). Foi observado eritema e corrimento em seu aparelho genital.


Questões de Estudo:

1- Qual o diagnóstico presuntivo e a conduta?

2- Quais exames laboratoriais podem confirmar o diagnóstico?

3- Quais são as medidas de prevenção dessa doença?

4- Por que não há vacina efetiva para esse tipo de bactéria?




REFERÊNCIAS:

Murray P, Rosenthal KS, Pffaler MA. Microbiologia Médica. 7.ed. Rio de Janeiro: Elsevier Editora Ltda.;2010.


Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). A cada dia, há 1 milhão de novos casos de  infecções sexualmente transmissíveis curáveis [Internet]; 2019 Jun 6. Disponível em: https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5958:a-cada-dia-ha-1-milhao-de-novos-casos-de-infeccoes-sexualmente-transmissiveis-curaveis&Itemid=812