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quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Mycoplasma pneumoniae

1) Morfologia e Estrutura

    Possuem tamanho oscilante de 125 a 300 nm, são bactérias pleomóficas, que podem adotar diferentes formas. Esses microrganismos apresentam uma parede celular rígida e citoplasma trilaminar que apresenta esterol e que a proporciona flexibilidade. Por esse motivo elas não são afetadas pela coloração de Gram, sendo coloridas ligeiramente pela coloração de Giensa. Também possui um DNA genômico bacteriano pequeno. As colônias de Mycoplasma pneumoniae posum uma superfície granulosa com um centro denso tipicamente alojado ágar (aspecto de ovo frito invertido).

2) Mecanismo de Patogenicidade

    M. pneumoniae é um patógeno extracelular que adere ao epitélio respiratório por uma estrutura especializada de adesão que se forma em uma extremidade da célula. A estrutura consiste em um complexo de proteínas de adesão, sendo adesina P1 a mais importante, que protege o micoplasma da remoção pelo mecanismo de depuração mucociliar. As estruturas de adesão interagem especificamente com receptores glicoproteicos sinalizados que existem na base dos cílios das células epiteliais (e na superfície de eritrócitos). A citoaderência é seguida pela indução de ciliostase, esfoliação de células infectadas, inflamação crônica e citotoxicidade mediada por peróxido de hidrogênio e outras moléculas reativas, levando ao estresse oxidativo.

    A organela de fixação consiste em uma estrutura de ponta especializada com um núcleo central de um filamento central denso em forma de bastão cercado por um espaço lúcido que é envolvido por uma extensão da membrana celular do organismo. Essa estrutura de ponta é uma rede de adesinas, proteínas interativas e proteínas acessórias de aderência que cooperam estrutural e funcionalmente para mobilizar e concentrar adesinas na ponta do organismo. 
    M. pneumoniae também apresenta a toxina da síndrome do desconforto respiratório adquirido na comunidade (toxina CARDS), que é responsável pela ligação à proteína A do surfactante e por entrar nas células do hospedeiro por endocitose mediada por clatrina . Essa toxina causa ciliostase, bem como fragmentação nuclear, e estimula a produção de citocinas pró-inflamatórias e a reação inflamatória celular aguda, causando danos às vias aéreas.
     Micoplasmas inteiros são mostrados na figura abaixo, com estruturas de fixação terminais indicado por pontas de seta:


WAITES, Ken B.; TALKINGTON, Deborah F. Mycoplasma pneumoniae and its role as a human pathogen. Clinical microbiology reviews, 2004, 17.4: 697-728.

3) Cultura e/ou Diagnóstico Laboratorial

     O diagnóstico em meio laboratorial de infecções por Mycoplasma pneumoniae é realizado principalmente por meio de cultura, PCR e métodos sorológicos. É importante destacar que a microscopia desse patógeno não é útil nesses casos porque esse não possui parede celular e não se cora com os reagentes.

    O patógeno Mycoplasma pneumoniae pode ser isolado a partir de lavados de garganta, brônquicos ou escarro expectorado. O material deve ser inoculado em meios especiais suplementados com soro (fornece esteróis), extrato de leveduras (para precursores de ácidos nucleicos), glicose, indicador de pH e penicilina (para inibir outras bactérias), o que permitirá um crescimento lento em cultura desses organismos (com tempo de geração de 6 horas). Destaca-se que as colônias desse microrganismo são pequenas e têm aparência granular homogênea (“formato de amora”), diferindo da morfologia em “ovo frito” dos outros micoplasmas.

Fonte: Google Imagens


Já o teste de amplificação pela reação em cadeia polimerase (PCR) é considerado o padrão ouro para diagnóstico de infecção por esse patógeno, possuindo grande sensibilidade e maior rapidez se comparado à cultura. Apesar disso, ainda apresenta algumas desvantagens, como o alto custo e a não diferenciação entre colonização e doença. A PCR pode ser realizada em escarro, secreção de orofaringe ou nasofaringe, lavado broncoalveolar ou aspirado pulmonar.



Os métodos sorológicos são os mais aplicados no diagnóstico da pneumonia por M. pneumoniae, que tem antígenos lipídicos e protéicos que podem induzir a resposta de anticorpos, permitindo o uso de diferentes técnicas com base nas variações antigênicas, como as técnicas de fixação de complemento, imunofluorescência indireta, aglutinação com partícula ou ELISA.


É importante atenção também ao diagnóstico radiológico, pois os achados da pneumonia M. pneumoniae na radiografia de tórax são inespecíficos e variáveis, sendo apresentados devido a ocorrência de infiltrados intersticiais e condensações lobares ou segmentares, por exemplo.


Fonte:https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/dist%C3%BArbios-pulmonares/pneumonia/pneumonia-adquirida-na-comunidade

 


4) Patogênese e Patologia
4.1 Patogênese

    Mycoplasma pneumoniae é um patógeno extracelular que adere ao epitélio do sistema respiratório por uma estrutura de adesão que se forma na extremidade da célula. Essa estrutura é composta por um complexo de proteínas de adesão, como adesina P1, que se liga aos receptores glicoproteicos sinalizados que estão na base dos cílios das células epiteliais. A seguir ocorre a ciliostase seguida por destruição dos cílios e das células epiteliais ciliadas, o que interfere na limpeza das vias aéreas superiores e facilita a contaminação microbiana e irritação mecênica do trato respiratório inferior. O processo é responsável pela tosse persistente presente em pacientes com a doença sintomática. M. pneumoniae atua como um superantígeno, estimulando células inflamatórias a migrar para o local de infecção e liberar citocinas, inicialmente fator de necrose tumoral‑α (TNF‑α) e interleucina‑1 (IL‑1), e, mais tarde, IL‑6. Esse processo contribui tanto para a eliminação das bactérias como para as características da doença.

4.2 Patologia

1. Trato Respiratório superior:

      Geralmente existem sintomas não específicos da doença e sem muita gravidade como coriza, faringite, tosse, algumas dores, mas sem febre geralmente. 

2. Trato respiratório inferior:

      Essa infecção normalmente é conhecida como pneumonia atípica e é a forma mais conhecida do M. pneumoniae e se assemelha a causada por outras espécies. No começo são sintomas não específicos, como tosse seca, febre, mialgias e faringite. Apenas 33% dos infectados desenvolvem a pneumonia, e por isso a maioria dos pacientes permanece realizando suas atividades normais. A pneumonia em si é caracterizada por sibilos e infiltrado intersticial no tórax. 

3. Manifestações extrapulmonares:

      Embora raras, podem ocorrer durante infecções ativas de M. pneumoniae. Os sintomas incluem: síndrome de Guillain-Barre, meningoencefalite, meningite asséptica, erupções cutâneas, pericardite e anemia hemolítica.



5) Orientações

    O tratamento consiste principalmente do uso de determinados antibióticos, porém, algumas bactérias já possuem resistências a certos tipos de antibióticos, sendo necessário uma avaliação médica para garantir um tratamento eficaz. Outro tratamento possível, em casos graves, é o uso de imuno moduladores e corticoides.

6) Prevenção e Educação em Saúde


A M. pneumoniae é causadora de um tipo de pneumonia adquirida na comunidade (PAC), que evolui para diversas complicações em indivíduos imunodeprimidos, profissionais de saúde, crianças e idosos.

Fonte: arquivo pessoal

Por ser uma doença do trato respiratório, é transmitida facilmente por contato direto com a pessoa infectada. É recomendado o isolamento do doente, no entanto devido ao tempo longo de tratamento, não é o que frequentemente acontece.

Portanto, é imprescindível o cuidado com o paciente infectado, seus objetos pessoais e fluidos corporais. É indicado fazer sempre higiene adequada das mãos; evitar contato com pessoas infectadas; evitar aglomerações; sempre que espirrar ou tossir cobrir boca e nariz, para evitar que gotículas de saliva respinguem em pessoas próximas; além de não fumar, pois o cigarro provoca inflamação nos pulmões e se configura em um ambiente propício para instalação de microrganismos.

Existem vacinas, como a pneumocócica, que não se mostram suficientes para imunizar o indivíduo, mas que podem evitar complicações graves da doença. A vacina antigripal também é recomendada nesses grupos de risco, pois reduz o número de hospitalizações e mortalidade por pneumonia.


Caso Clínico
   V.B.S, feminina, branca, 14 anos, deu entrada em unidade hospitalar para investigação de tosse. Sintomatologia presente há 3 semanas. Queixas nasais associadas desde o início do quadro (coriza hialina, que posteriormente ficou purulenta). Negava passado de asma ou outras doenças prévias. Como mantinha sintomatologia inalterada, fez investigação radiológica para sinusite que foi normal, o que motivou investigação radiológica do tórax com o seguinte achado:



    Após raio X foi feita a colheita de material para posterior teste de PCR que confirmou o diagnóstico para pneumonia bacteriana induzida por Mycoplasma pneumoniae. Paciente recebeu tratamento com antibióticos e apresentou melhora no prognóstico.

Questões para estudo:

1. Quais os sintomas da Mycoplasma pneumoniae?
2. Como podemos diagnosticar a Mycoplasma pneumoniae? 3. Quais as características morfológicas da bactéria Mycoplasma pneumoniae? 4. Como podemos tratar a Mycoplasma pneumoniae?



REFERÊNCIAS

WAITES, Ken B.; TALKINGTON, Deborah F. Mycoplasma pneumoniae and its role as a human pathogen. Clinical microbiology reviews, 2004, 17.4: 697-728.

LEE, Kyung-Yil et al. Pneumonia por micoplasma, pneumonia bacteriana e pneumonia viral. Jornal de Pediatria, v. 86, n. 6, p. 448-450, 2010.

MURRAY, Patrick R.; ROSENTHAL, Ken; PFALLER, Michael. Microbiologia medica 7 ed.

SOUZA, Edna Lúcia; GALVÃO, Naiara Araújo. Infecções respiratórias por Mycoplasma pneumoniae em Crianças. Pulmão RJ, v. 22, n. 3, p. 31-6, 2013.

LEE, Kyung-Yil et al. Pneumonia por micoplasma, pneumonia bacteriana e pneumonia viralJornal de Pediatria, v. 86, n. 6, p.448-450, 2010.

ARYAL, Sagar. Pathogenesis and Clinical Manifestations of Mycoplasma pneumoniae. Microbenotes. Disponível em:

Koneman E, Allen S, Janda W, Schreckenberger P, Winn W. (2004). Diagnóstico Microbiológico. (5ta ed.). Argentina, Editorial Panamericana S.A.

Ryan KJ, Ray C. (2010). SherrisMicrobiología Médica. (6°edición) New York, U.S.A. Editorial McGraw-Hill.

 

Leptospira interrogans

1) Morfologia e Estrutura
    Leptospira interrogans é uma bactéria patogênica pertencente ao gênero Leptospira , da borda das eubactérias. Dentro desse limite, o gênero Leptospira é o único com representantes patogênicos capazes de causar infecções em mamíferos .
    As espécies do gênero são classificadas em alguns supergrupos e variedades de acordo com a expressão de um lipopolissacarídeo de superfície, cujas diferenças estruturais na região dos carboidratos determinam a diversidade antigênica dos sorovares.

    Como a maioria das leptospiras, o Leptospira interrogans é um espiroqueta móvel, de 6 a 20 μm de comprimento e 0,25 μm de largura, cujo corpo celular é enrolado helicoidalmente sobre si mesmo.
    Tem uma morfologia muito particular, na qual suas extremidades em forma de gancho dão a ela uma forma que alguns autores compararam com um ponto de interrogação.


Fonte: (Biblioteca de Imagens de Saúde Pública do CDC. [Domínio público])

    Eles compartilham características de superfície com bactérias Gram-positivas e Gram-negativas, por exemplo: Assim como as bactérias Gram-negativas, as leptospiras possuem lipopolissacarídeos e membranas duplas, enquanto compartilham com bactérias Gram-positivas a associação da membrana citoplasmática à parede celular da mureína.


    Eles são capazes de se mover graças à presença de dois flagelos modificados que são realmente conhecidos como filamentos axiais periplásmicos, que surgem em cada extremidade da bactéria e acredita-se que a mobilidade mediada por esses filamentos seja indispensável para a patogenicidade das espécies.

2) Mecanismo de Patogenicidade

    Estudos sugerem que as leptospiras utilizam a entrada na célula hospedeira e a rápida translocação sem dano ao tecido, como mecanismo para disseminarem aos órgãos alvos e evadir o sistema imune.

    As leptospiras apresentam múltiplas proteínas com função de ligação aos componentes da MEC, sugerindo que o processo de adesão seja de fato importante para a virulência das leptospiras e início da infecção e colonização.

    L. interrogans apresenta duas proteínas, LigA e LigB, expressas em todas as espécies patogênicas de leptospira, que tem sua expressão aumentada quando são expostas às concentrações de sal semelhantes aquelas encontradas no tecido dos hospedeiros, indicando um importante papel na patogênese da leptospirose. Possuem a capacidade de se aderirem a fibronectina, colágeno e laminina, estando possivelmente envolvidas na colonização dos tecidos nos hospedeiros, servindo como adesinas.

    A lipoproteína Loa22 é exposta na superfície bacteriana , reconhecida pelo soro de pacientes com leptospirose e possui maior expressão no modelo de infecção aguda.  

     Ao alcançar a corrente sanguínea, as leptospiras precisam superar o sistema imune do hospedeiro. Elas resistem à ação antibactericida do soro normal humano. Além disso, a invasão temporária de células permite não só que essas bactérias ultrapassem barreiras celulares, como também evita seu reconhecimento pelo sistema imunológico do hospedeiro. Tais patógenos também são capazes de sobreviver à ação de fagócitos (neutrófilos) e evadir o sistema complemento. 

     As leptospiras  utilizam enzimas proteolíticas para evadir o sistema imune do hospedeiro. É utilizado o sistema proteolítico plasminogênio/plasmina para invasão e evasão imune do hospedeiro. Elas são capazes de se ligarem ao plasminogênio (PLG) por meio de seus resíduos de lisina. O PLG ligado é convertido em plasmina, no entanto o ativador do hospedeiro é necessário para que essa conversão ocorra. A plasmina ativada é capaz de degradar imunoglobulinas e C3b, bem como fibronectina, contribuindo para as habilidades da leptospira de invadir e evadir.

     Proteases secretadas por leptospira clivam C3, C2, C4b e fator B inibindo as três vias do sistema complemento.

     A motilidade foi definida como essencial para a virulência da leptospira. O endoflagelo de espiroquetas possui uma estrutura complexa composta de proteínas FlaB, que constituem o cerne do endoflagelo, revestidas por proteínas FlaA.


3) Cultura e/ou Diagnóstico Laboratorial

        O diagnóstico da leptospirose ocorre por meio de exames laboratoriais específicos, tanto para pesquisar anticorpos contra a Leptospira interrogans no sangue do paciente com suspeita quanto a investigação direta desse patógeno em exame de cultura, no qual o material biológico é colocado em meios apropriados para o desenvolvimento da bactéria. Por serem delgadas, as leptospiras estão no limite de resolução do microscópio óptico, e não podem ser observadas por microscopia óptica convencional, sendo necessário o uso de microscopia de campo escuro e uma concentração mínima de 10.000 leptospiras/ml para que seja possível a visualização em microscópio.



Fonte: LEVETT; HAAKE, 2009 


O teste diagnóstico definitivo é a presença de leptospira em meios de cultura, sendo essa isolada do sangue, tecidos e LCR durante os primeiros 7 a 10 dias da doença e, a partir da segunda semana, na urina. A técnica empregada é muito laboriosa com baixa sensibilidade e os resultados demoram dias, pois as leptospiras patogênicas tem crescimento fastidioso, são muito exigentes e susceptíveis aos metabólitos produzidos por microrganismos contaminantes, dessa forma, precisam de meios de cultura especiais enriquecidos e técnicas de controle de contaminantes com o uso de agentes antimicrobianos. Necessitam de meio que contém fluidos orgânicos, ácidos graxos de cadeira longa, albumina bovina, complexos de polissorbato ou "tweens", entre outros. São exemplos dos meios de cultura utilizados para seu desenvolvimento: o EMJH, Fletcher ou o meio de Stuart.

        Em razão da necessidade de meios específicos e período de incubação longo, a maioria dos laboratórios não realizada cultura de leptospiras, dependendo de técnicas sorológicas. Um grande número de testes, como o teste de aglutinação microscópica (MAT), hemaglutinação indireta e ELISA, estão disponíveis. Dentre esses métodos, o MAT é considerado o padrão-ouro para o diagnóstico dessa doença, pois possuem grande sensibilidade e especificidade pela análise da capacidade do soro em aglutinar leptospiras vivas. Como o teste é dirigido contra sorótipos específicos, é necessário utilizar uma mistura de antígenos de leptospiras. Para sua realização, diluições seriadas do soro do paciente são misturadas com os antígenos, e uma análise microscópica é feita para aglutinação. Aglutininas aparecem no sangue de pacientes não tratados após 5 a 7 dias de infecção, embora essa resposta possa ser mais demorada (meses). Pacientes infectados apresentam título de pelo menos 1:200 (i.e., aglutininas são detectadas em uma diluição do soro de 1:200), podendo alcançar diluições de 1:25.000 ou maiores.



Fonte: Google Imagens

Testes baseados na técnica de Elisa vêm sendo amplamente aplicados, pois é um método muito sensível para detecção de anticorpos anti-leptospira, sendo o teste Elisa-IgM reconhecido pela OMS. O princípio da técnica consiste na imobilização de um dos reagentes (anticorpo ou antígeno) em uma fase sólida. Após a adição da amostra, o outro reagente ligado a enzima reagirá com o complexo antígeno-anticorpo. Com o acréscimo do substrato da enzima e do cromógeno, os imunocomplexos são revelados devido à formação de um produto colorido. Os resultados do teste de Elisa são expressos pelas absorbâncias obtidas de espectrofotômetros.


Ademais, a biologia molecular parece ser uma das melhores técnicas para detectar o agente em amostras do paciente, utilizando-se sangue, urina ou amostras de tecido. Pode ser utilizada como método diagnóstico no período inicial da doença, sendo uma técnica de alta sensibilidade e especificidade, embora tenha um custo mais elevado. O PCR pode amplificar, seletivamente, sequências alvos de DNA a partir de líquor e urina de pacientes com leptospirose.







4) Patogênese e Patologia
4.1 Patogênese

A L. interrogans utiliza da sua capacidade de invadir e translocar pelas células sem causar dano a tecidos para conseguir invadir o hospedeiro sem ativar uma resposta imune. A infecção causa uma prolongada leptospiremia até que o hospedeiro possa montar uma resposta imune efetiva, após a infecção, podem ocorrer uma doença aguda e eliminação do antígeno, ou o portador pode se tornar crônico. Para que se mantenha no hospedeiro, a L. interrogans habita a região dos tubos renais, onde há uma menor atuação do sistema imune. O início da doença está relacionado com a resposta humoral à infecção com o processo de lise celular. Os lipopolissacarídeos na membrana da leptospira ativam os receptores TLR2 nas células humanas, os peptídeoglicanos induzem a liberação do fator de necrose tumoral dos monócitos resultando em grandes danos aos tecidos infectados, e além disso determinadas proteínas de adesão da membrana são ativadas quando o antígeno entra em contato com concentrações salinas elevadas nos tecidos do hospedeiro, e a proteína de membrana LipL32 possui estrutura semelhante a colágenas. Mais estudos ainda são necessários quanto a patogênese da L. iterrogans.


4.2 Patologia

    A leptospirose é uma doença infecciosa e potencialmente grave, causada pela bactéria Leptospira interrogans. É considerada uma zoonose, entretanto essa infecção pode atingir também o homem. A transmissão ocorre, sobretudo, por meio do contato com a urina do rato. Inicialmente a infecção desenvolve manifestações discretas, ou não apresenta sintomas da doença. Os sintomas, quando ocorrem, em geral aparecem após o período de incubação de 1 a 2 semanas e em duas fases. A fase inicial é semelhante a uma gripe, com febre e dores musculares, que podem minimizar após uma semana ou pode progredir para a segunda fase, marcada por início súbito de cefaleia, mialgia, calafrios, náuseas, vômitos, cansaço, dor abdominal, hiperemia conjuntival e alguns podem apresentar tosse e faringite. O quadro mais grave da doença pode agravar-se para colapso vascular, trombocitopenias, hemorragia e disfunção hepática e renal. A forma mais grave da leptospirose é denominada doença de Weil que pode apresentar icterícia, manifestações hemorrágicas (equimoses, sangramento em nariz, gengivas e pulmões) e pode afetar os rins, o que causa diminuição do volume urinário e, às vezes, anúria total.



5) Tratamento

O tratamento da leptospirose é fundamentalmente com hidratação. Podem ser utilizados medicamentos sob prescrição médica como penicilina ou doxiciclinas administradas por via endovenosa. É importante ressaltar que não deve ser utilizado medicamentos para dor e febre que contenham ácido acetil-salicílico na sua fórmula, visto que podem aumentar o risco de sangramentos, além disso os anti-inflamatórios também não ser utilizados devido os efeitos colaterais, como hemorragias digestivas.



6) Prevenção e Educação em Saúde

A leptospirose é uma doença causada pela bactéria Leptospira e transmitida ao homem pela urina de roedores infectados, presente na água de córregos, rios e águas paradas ou no caso de enchentes.

A bactéria infecta dois hospedeiros: os reservatórios, que são os roedores, morcegos, onde se desenvolverá; e os incidentais, que podem ser humanos, cães, gatos e animais de fazenda.

Os meios primordiais de prevenção da doença são: não entrar em contato com a água de enchentes, lama ou esgotos; trabalhadores que realizam a limpeza das ruas sempre se proteger com luvas e botas; sempre que tiver contato com água possivelmente contaminada, realizar limpeza e desinfecção de mãos, pés e ambientes.

Logo, outro método eficiente de prevenção é manter a distância de animais roedores. Para isso é importante limpar terrenos baldios e margens de rios ou córregos; não jogar lixo em ambientes inadequados; manter cozinha e casa limpas, sem restos de alimentos que possam atraí-los; armazenar alimentos adequadamente; evitar acúmulo de materiais que sirvam de abrigo para roedores.

Além disso, é imprescindível a realização de obras de saneamento básico nas comunidades que ainda vivem em condições precárias, pois locais com esgoto a céu aberto e higiene urbana inadequada estão mais favoráveis a presença de animais roedores.

CASO CLÍNICO

    G.H.C., sexo masculino, 27 anos, pardo, proveniente de Nova Betânea, Mossoró-RN, deu entrada no H.R.T.M, queixando-se de  febre, dor de cabeça, dores pelo corpo, principalmente nas panturrilhas e diarreia, no exame físico também foi observado pequeno grau de icterícia devido aos olhos levemente amarelados. Um hemograma  foi realizado pelo paciente e entregue ao médico do hospital, que observou plaquetopenia, leucocitose, neutrofilia e desvio à esquerda. Dessa forma, foi solicitado um teste de ELISA-IgM reagente. e o teste de aglutinação microscópica. Os resultados deram positivo para presença da bactéria Leptospira interrogans, fechando o diagnóstico de Leptospirose.

Questões para estudo:
1. Quais os sintomas da Leptospira interrogans?
2. Como podemos diagnosticar a Leptospira interrogans? 3. Quais as características morfológicas da bactéria Leptospira interrogans? 4. Como podemos tratar a Leptospira interrogans?

REFERÊNCIAS

WUNDER JÚNIOR, Elsio Augusto et al. Patogênese da leptospirose: estudo sobre os fatores envolvidos na virulência e disseminação do agente durante a infecção no modelo animal de hamster. 2010. Tese de Doutorado. 

SIQUEIRA, Gabriela Hase. Envolvimento de proteínas de membrana de Leptospira interrogans nos mecanismos de evasão e invasão do hospedeiro. 2014. 264 f. Tese (Doutorado) - Curso de Biotecnologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2014.

MURRAY, Patrick R.; ROSENTHAL, Ken; PFALLER, Michael. Microbiologia medica 7 ed.

LEVETT, P. N; HAAKE, D. A. Leptospira Species (Leptospirosis). In: Gerald L. Mandell, John E. Bennett, Raphael Dolin (Ed.). Principles and pr actice of infectious diseases. Philadelphia: Elsevier, 2009, p.1-7.

AZEVÊDO, Diana de Oliveira Silva. Avaliação soro-epidemiológica da leptospirose canina de amostras coletadas em bairros residenciais de cruz das almas-ba, Brasil. 2016.

SILVEIRA, Thaís Brasil. Perfil de crescimento de genomoespécies de Leptospira spp. em diferentes meios de cultura. 2018.

MACEDO A, Sonia. Estudio Ultraestructural de Leptospira Biflexa Serovar Andamana cepa JNS al Microscopio Electrónico de Transmisión y Barrido. Rev. perú. med. exp. salud publica,  Lima ,  v. 22, n. 4, p. 281-289,  out.  2005.



quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Proteus mirabilis

1) Morfologia e Estrutura 

    Proteus mirabilis são bactérias gram-negativas pertencentes a família das Enterobactérias. Esses microrganismos fazem parte da microbiota normal do ser humano e está amplamente distribuída pelo meio ambiente, no solo, na água e na vegetação, no entanto podem causar uma variedade de doenças, principalmente no trato urinário. São bactérias anaeróbias facultativas, média de tamanho moderado (0,3 a 1,0 x 1,0 a 6,0 μm), estrutura em forma de bacilo, são móveis com flagelos peritríquios e não formam esporos. Seu metabolismo depende da fermentação da glicose, redução do nitrato e são catalase-positivas e oxidase-negativas. Para diferenciar membros comuns da família enterobacteriaceae é observado a não fermentação da lactose. O lipopolissacarídeo (LPS) é o principal antígeno da parede celular e consiste em três componentes: polissacarídeo O (classificação epidemiológica das cepas dentro da espécie), polissacarídeo central (classifica como membro da família enterobacteriaceae) e o lipídio A (atividade endotóxica, um importante fator de virulência).


Fonte imagens: Google imagens


2) Mecanismos de patogenicidade


    P. mirabillis é uma bactéria colonizante do trato gastrointestinal e pela proximidade anatômica pode alcançar o trato urinário e causar enfermidades no homem, ela é capaz de produzir grandes quantidades de urease, que hidrolisa a ureia à amônio (NH4),  tornando a urina mais alcalina, esse aumento da alcalinidade pode levar a formação de cristais de estruvita, e carbonato de cálcio (CaCO3) principalmente nas vias urinárias, as bactérias podem permanecer dentro das pedras nos rins que enquanto não forem removidas podem reiniciar a infecção após o tratamento antibiótico. Conforme as pedras aumentam de tamanho podem eventualmente crescer o suficiente para causar obstrução das vias urinárias e insuficiência renal.
    Quando o organismo entra em contato com bactérias patogênicas, especificamente quando as bactérias aderem às células uroepiteliais, inúmeros eventos de resposta imune são iniciados nas células mucosas endoteliais, incluindo secreção de interleucina e ativação da morte celular programada, entre outros. As endotoxinas presentes na membrana celular também desencadeiam cascatas de respostas inflamatórias no hospedeiro, o que causa desconforto físico.



3) Cultura e/ou Diagnóstico laboratorial 

    Para o diagnóstico de infecções do trato urinário são realizados dois tipos de exames, o EAS (Elementos Anormais do Sedimento), que fornece o diagnóstico da infecção do trato urinário, a presença de elementos sanguíneos ou bactérias e a urocultura, que identifica especificamente o agente causador da infecção.

    Os membros da família Enterobacteriaceae crescem rapidamente em meio de cultura. A Proteus mirabilis é uma bactéria gram-negativa, que apresentam coloração vermelha quando dispostas ao processo de coloração de Gram.

Para realizar a cultura desta bactéria pode ser utilizado o método MacConkey, que consiste em um meio de seleção e diferenciação para bacilos entéricos Gram negativo fermentadores e não fermentadores de lactose, como as famílias Enterobactereaceas spp. e Pseudomonas spp.


                                                        Fonte: Google Imagens

    O teste da oxidase, que determina a presença da enzima citocromo C oxidase nas bactérias, é uma prova usada para diferenciar as bactérias Proteus spp, que apresentam reação negativa.

    Para a identificação da P. mirabilis são necessários alguns testes, um deles é a enzima urease, que consiste na hidrólise da ureia e da amónia que resulta em aumento do pH do meio alcalinizando-o. É considerado positivo quando há alteração da cor do meio, caso contrário, negativo. Neste caso, a bactéria apresenta reação positiva.


                                                     Fonte: microbeonline.com

    Outro teste comum utilizado para identificá-la é o indol, que analisa as bactérias que possuem a enzima triptofanase de degradar o triptofano, levando a produção de indol, ácido pirúvico e amônia. A presença do indol é caracterizada por um anel de cor avermelhada na superfície do meio, que indica reação positiva. No caso desta bactéria a reação é negativa.


                                                     Fonte: microbiologyinfo.com

4) Patogênese e Patologia

4) Patogênese

Adesão: cateteres de ligação, tecidos do hospedeiro e bactérias vizinhas podem contribuir para a doença. A adesão é mediada por fímbrias chaperone-usher e adesinas autotransportadoras.

Urease: envolvida em pedras, biofilmes cristalinos e, possivelmente, nutrição ou detecção do hospedeiro.  A urease contribui para a colonização do cateter ao hidrolisar a ureia em amônia e dióxido de carbono, aumentando assim o pH e facilitando a precipitação de íons polivalentes na urina, levando à formação de cristais de estruvita (fosfato de amônio magnésio) e apatita (fosfato de cálcio). A aderência bacteriana normalmente ocorre quando o pH da urina aumenta para em torno de  8,2 e os cristais se depositam no cateter
          Motilidade: P. mirabilis enxameia através de cateteres e pode subir para os rins usando a motilidade de natação. Ambas as formas de movimento são mediadas por flagelos. As proteínas da quimiotaxia permitem que as bactérias sigam gradientes químicos. 
   Metabolismo: provavelmente permite o estabelecimento de um nicho nutricional, competição com outras espécies e resposta aos sinais do hospedeiro.
        Eliminação de metais: a absorção de ferro e zinco são essenciais para o crescimento, mas são sequestrados pelo hospedeiro; portanto, proteínas especializadas são necessárias para que as bactérias eliminem esses metais. 
    Toxinas: proteínas como HpmA  ( hemolisina) e Pta ( aglutinina tóxica de Proteus) podem ajudar na acessibilidade aos nutrientes, evasão imunológica ou fornecimento de superfícies para colonizar. 
    Formação de biofilme: Biofilmes cristalinos se formam prontamente em cateteres, e aglomerados bacterianos na bexiga podem ser um processo mediado por biofilme. 
    Evasão imunológica: isso pode incluir a degradação de anticorpos e peptídeos antimicrobianos, resistência à polimixina, variação do lipopolissacarídeo (LPS) e obstrução física da fagocitose. 
Regulação da virulência: necessária para coordenar todas as etapas da infecção.

 

 

ARMBRUSTER CE, MOBLEY Harry LT, PEARSON MM. Patogênese da infecção por Proteus mirabilis . EcoSal Plus. Fev 2018; 8 (1): 10.1128 

 

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ARMBRUSTER CE, MOBLEY Harry LT, PEARSON MM. Patogênese da infecção por Proteus mirabilis . EcoSal Plus. Fev 2018; 8 (1): 10.1128 


A bactéria P. mirabilis (verde) forma biofilmes cristalinos na superfície dos cateteres (topo). Uma vez dentro da bexiga [0,5–6 horas pós-infecção (hpi)], esse organismo pode invadir as células uroteliais da bexiga. Já em 10-24 hpi, P. mirabilis forma aglomerados intraluminais que podem estender o comprimento da bexiga e estão associados à destruição das células uroteliais [talvez através da produção de toxinas (estrelas amarelas) ou um aumento no pH da urina] e deposição mineral (hastes roxas). As células imunes inatas hospedeiras, como os neutrófilos (azul), são recrutadas para o local da infecção e podem formar NETs (armadilhas extracelulares de neutrófilos)



4) Patologia 


    Proteus mirabilis pode ser encontrado em uma ampla diversidade de ambientes, como solo, fontes de água e esgoto, porém é predominantemente um comensal do trato gastrointestinal de humanos e animais. Embora a bactéria seja capaz de causar uma variedade de infecções humanas, incluindo aquelas de feridas, do olho, do trato gastrointestinal e do trato urinário, ela é mais conhecida por infecções do trato urinário cateterizado, conhecidas como infecções do trato urinário associadas a cateter (CAUTI).
    Essas infecções são comuns em pacientes cateterizados de longo prazo, como aqueles que residem em asilos e instalações de cuidados crônicos. As infecções do trato urinário (ITUs) e CAUTIs envolvendo P. mirabilis são geralmente complicadas pela formação de cálculos na bexiga e nos rins (urolitíase) e dano renal permanente, e podem progredir para bacteremia e sepse, as quais carregam uma alta taxa de mortalidade. A bacteremia envolvendo P. mirabilis ocorre mais frequentemente após ITU ou CAUTI em comparação com outras fontes de infecção.     Essas infecções ocorrem principalmente em pacientes em hospitais. As infecções são causadas por instalações médicas contaminadas ou infectadas. Por exemplo, cateteres usados para injeção ou inalação e luvas usadas para examinar a ferida podem causar infecções se estiverem infectados. As seguintes infecções surgem devido ao Proteus mirabilis.


4.1) Infecções do sistema urinário

 

       São infecções que ocorrem na bexiga, rins e uretra. Infecções do trato urinário acontecem quando as bactérias entram no sistema urinário através da uretra. Apesar da capacidade do sistema urinário de eliminar esses microrganismos, às vezes ele não consegue fazê-lo. Isso permite que as bactérias se multipliquem e ataquem seu sistema urinário e causem infecções. Proteus mirabilis também é a causa de infecções urinárias. Proteus mirabilis pode aderir aos equipamentos médicos, como cateteres urinários e entrar em seu corpo onde viajam e chegar ao seu sistema urinário e causar uma infecção. Além disso, seu sistema digestivo é uma casa de muitos microrganismos. Proteus mirabilis é um desses microrganismos. Na maioria dos casos, Proteus mirabilis não causa infecções no seu sistema digestivo. Mas se essas bactérias encontrarem seu caminho para o seu sistema urinário, isso causa uma infecção. 

    Existem várias infecções urinárias que um indivíduo pode ter. Eles incluem:

4.2) Uretrite

   Este é um tipo de infecção que afeta sua uretra. A uretrite ocorre quando proteus mirabilis ou
qualquer outra bactéria se move do ânus para uretra. Além do proteus mirabilis, outras infecções como gonorreia e clamídia podem causar uretrite.
    

4.3) Cistite

 

    Essa infecção afeta sua bexiga. Cistite é causada por uma bactéria chamada Escherichia coli encontrada em seu sistema digestivo. Outras bactérias como Proteus mirabilis causam esse tipo de infecção.
    A relação sexual também pode causar cistite. No entanto, você não precisa ser sexualmente ativo para obter essa infecção. As fêmeas têm maior risco de desenvolver cistite do que os homens por causa de sua anatomia.



            4.4) Infecções renais

    Rins são um componente do seu sistema urinário. Sua principal função é filtrar sangue. Seu rim pode ficar infectado, o que pode prejudicar suas funções. Infecções do trato urinário especialmente da bexiga podem se espalhar e afetar seus rins. Bactérias Proteus mirabilis podem se espalhar e alcançar seu rim onde causam uma infecção. Eles também podem formar pedras em seu rim.



4.5) Sépsis

 

    Esta é uma doença fatal que ocorre quando seu sistema imunológico reage a uma infecção. Normalmente, seu sistema imunológico é responsável por defender seu corpo contra infecções. Mas às vezes pode se tornar hiperativo em sua resposta a uma infecção.
    Esta doença se desenvolve quando anticorpos liberados para combater infecções causam inflamação em todo o seu corpo. Esta doença é responsável por muitas mortes quando é grave.
    A sepse ocorre como resultado de qualquer infecção. Proteus mirabilis pode se espalhar de uma ferida infectada em sua corrente sanguínea onde causam uma infecção. Outras causas de sepse são infecções renais, pneumonia e infecção abdominal.



4.6) Resposta inflamatória sistêmica

 

    Esta é uma condição onde há inflamação em seu corpo. A resposta inflamatória sistêmica pode ocorrer quando seu corpo reage exageradamente a microrganismos no corpo. Choque séptico ou sepse grave formam coágulos sanguíneos que obstruem o fluxo sanguíneo ao redor do corpo. Isso priva seus tecidos corporais e órgãos de sangue e oxigênio que podem levar à morte deles.

    Além do choque séptico, qualquer forma de trauma no seu corpo pode causar uma resposta inflamatória. Bactérias como Proteus mirabilis também podem entrar na corrente sanguínea e causar síndrome de resposta inflamatória sistêmica.

 

4.7) Pneumonia


    Esta é uma infecção em um ou ambos os pulmões. Pneumonia faz com que alvéolos que são sacos de ar em seus pulmões fiquem inflamados. Essa doença pode ser causada por vários microrganismos, incluindo vírus, fungos e bactérias. Pneumonia de estreptococos e pneumonia chlamydophila são as causas mais comuns de pneumonia. Mas Proteus mirabilis também pode causar pneumonia se as bactérias invadirem seus pulmões.
    A maior parte da pneumonia é infecciosa. Pode se espalhar de uma pessoa para outra através de gotículas de ar infectadas de uma tosse ou de um espirro. Pneumonia bacteriana e viral são contagiosas, mas pneumonia fúngica não se espalha de uma pessoa para outra.





Sintomas de Infecções Proteus Mirabilis


    Os sintomas das infecções Proteus mirabilis dependem do tipo de doença. A seguir, os sintomas baseados no tipo de infecção.

-Para infecções do trato urinário, os seguintes são seus sintomas:
  • Você sentirá dor ou queimadura ao urinar. 
  • Você vai notar urina turva enquanto urina. 
  • Há um aumento da vontade de urinar. 
  • Você sente dor no abdômen. 
  • Você pode sentir calafrios que podem ser acompanhados de febre. 
  • Você também pode se sentir muito cansado.
-Para sepse:
  • você terá febre mais alta e aumento da frequência cardíaca. 
  • Sua taxa de respiração também será maior do que o normal. 
  • Caso a sepse seja severa, você experimentará uma diminuição da vontade de urinar. 
  • Você terá dificuldade para respirar, bem como experimentar fraqueza corporal geral.
5) Tratamento
    Infecções bacterianas são tratadas com antibióticos. Existem certos antibióticos que Proteus mirabilis desenvolveu resistência a tais como a ampicilina. Assim, esta droga não deve ser usada no tratamento de infecções Proteus mirabilis. A cirurgia também pode ser usada se pedras bloquearem seu rim.
 

6) Prevenção e Educação em Saúde 

    As melhores maneiras de se prevenir do P. mirabilis estão relacionadas a higiene para impedir que a bactéria seja transportada para a região urinária, sendo assim, é necessário que a pessoa lave bem as mãos, limpe-se sempre com movimento para as costas após defecar e não use as mesmas roupas intimas por muito tempo sem lavar. Também é possível a suplementação de vitamina C para auxilia na boa manutenção do sistema urinário. Além disso, é recomendável que seja ingerida bastante água e que a pessoa não "segure" a urina por muito tempo.

Fonte: arquivo pessoal


Caso Clínico
    A.T.B., sexo feminino, 30 anos, branca, proveniente de zona rural, deu entrada em unidade hospitalar queixando-se de dor e ardência miccional com polaciúria e urgência urinária. A paciente relatou baixa ingestão de água durante o dia (inferior a 800ml/dia), hábito de retardar a micção quando está ocupada, falta de água encanada diária em sua residência para realização da higiene pessoal e atividades diárias, além da prática de relações sexuais sem uso de preservativos. Um exame EAS foi realizado pela paciente e entregue ao médico do hospital, que observou certa alcalinidade na urina. Dessa forma, foi solicitado uma urocultura para investigar uma bactéria capaz de promover tal ocorrência. Após o resultado dos exames saírem, foi possível concluir a presença de Proteus mirabilis na urina da paciente.


Questões de Estudo
1) Descreva a morfologia da bactéria em questão no caso clínico.

2) Qual a relação do modo de vida da paciente com a patologia e os sintomas apresentados?

3) Relacione a fisiopatologia oferecida pela bactéria com sua fisiologia e modo de vida.

4) Quais são as medidas preventivas necessárias para evitar tal patologia?

REFERÊNCIAS  

ARMBRUSTER CE, MOBLEY Harry LT, PEARSON MM. Patogênese da infecção por Proteus mirabilis . EcoSal Plus. Fev 2018; 8 (1): 10.1128

CURTIS, Michaele. Infecções do trato urinário por Proteus mirabilis. 2017. Disponível em: https://www.ehow.com.br/infeccoes-trato-urinario-proteus-mirabilis-sobre_7880/. Acesso em: 21 set. 2017.

MURRAY, P.R et al. Microbiologia médica. 7. Ed. Rio de Janeiro. Elsevier, 2014.
PINA, Elaine et al. Infecções associadas aos cuidados de saúde e segurança do doente. Revista portuguesa de saúde pública, p. 27-39, 2010. 

Hickman, FW, Steigerwalt, AG, Farmer, JJ, Brenner, DONJ, Control, D., & Carolina, N. (1982). Identificação de Proteus penneri sp. Nov., Anteriormente conhecido como Proteus vulgaris Indole Negative ou As Proteus vulgaris Biogroup 115 (6).

FERNANDEZ-DELGADO, Milagro et al. Ocorrência de Proteus mirabilis associado a duas espécies de ostras venezuelanas. Rev. Inst. Med. trop. S. Paulo [online]. 2007, vol.49, n.6, pp.355-359. ISSN 1678-9946.  http://dx.doi.org/10.1590/S0036-46652007000600004.

LOURENÇO, Catarina Isabel Fernandes. Diagnóstico laboratorial em microbiologia clínica: um estudo no centro hospitalar. 2012. Tese de Doutorado. Faculdade de Ciências e Tecnologia.